domingo, 24 de janeiro de 2016

Maternidade e o machismo

Já vivenciei o machismo,  quem nunca enquanto mulher?
Já sofri em um trabalho apenas por ser mulher. O meu sexo determinou que eu era inferior aos meus colegas de trabalho. Tive aquele emprego merda que me fazia chorar todas as noites.
Relacionamento abusivo, também tive.
Aquele namorado que determinava a minha roupa, me dizia a merda que eu era e como a minha família era ridícula.
Ah, ser suburbana também não ajudava.
Mas nenhuma fase da minha vida o machismo na sociedade foi tão evidente quanto na maternidade. 
Ah doce maternidade... Aquela propaganda de margarina,  perfeição e ambição de uma mulher.
E como não há de ser?
Um marido perfeito,  bem empregado, casa própria,  um emprego para chamar de meu também e um lindo bebê gordinho. Quem sabe por sorte o pai ajude,  mas se ajudar não tem problema...Ele não tem essa responsabilidade.

Ser mulher que rema contra esse pacote imposto pela sociedade, é ser louca.
E como é fácil ser louca...

Quis engravidar antes dos 30 - a louca do golpe da barriga.

Quis um parto natural e humanizado,  respeitando o tempo do meu filho e nas melhores condições de acordo com as evidências atuais - a louca parideira índia suja.

Tive um luto por um não parto: uma cesárea intra-parto depois de quase uma semana de pródomos intensos, mecônio e falta de progressão - a louca que não liga só pro bebê bem

Sling pra manter o bebê juntinho sempre e não sofrer tanto com a extrogestação - extroquê? Louca!

A lista é infinita mas a loucura é fácil. 
Ser mãe é não ser dona do seu próprio corpo e palpiteiros te dirão que o comum é o melhor. Amigos sem filhos (amigas feministas também - e aqui entra a tal sororidade seletiva) te dirão que você está fora de si, insuportável só porque seu bebê tem demandas absurdas.

Ser mãe é um ato político
Ser mãe crítica é revolucionário
Mas vou encerrar por aqui pq a madrugada vai ser longa e eu preciso aproveitar e dormir enquanto o filhote dorme.



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Desabafos de quase um sábado a noite

Chico grita, tento colocar ele pra dormir.
Não é a primeira vez que isso acontece hoje,  depois da soneca da tarde ele dormiu como um relógio e no mesmo horário de sempre (18h30).
Então dormiu, e deveria ir até as 7h, acordando apenas para mamar umas duas vezes.  Mas eis que o andar de cima decide fazer aquela festa legal,  e eu que estava num jantar gostoso com uma cerveja bem gelada e vendo um seriado,  tenho que largar tudo. Francisco acordou,  me culpo por isso.. Ele sempre dorme com um chorinho tocando por algumas horas mas dessa vez não aconteceu. Logo me frustro, marido não.
Sou eu que levo ele pra lá e pra cá,  tiro os peitos, largo tudo.  Seguro,  canto,  bato no bumbum,  aceito... Dói menos.


Não,  isso é irritante.
Ninguém percebe uma mãe sem se divertir,
Ninguém liga se não sorriu, dormiu,  comeu algo diferente.
Tive um dia daqueles, que decidimos fazer tudo pra adiantar a vida e me sobrecarreguei. Estou exausta... Mas o marido continua em seu entretenimento.
Agora estou aqui, Francisco fala....mama, fala, vira,  rola. Começou a se ninar,  acho que vai. Acho que vou junto pois são 22h30 e já não sou ninguém.
Acabou de peidar feio, bem fedido e não tenho coragem pra ver se tem algo por lá.
Posso deixar esse questionamento pelo ar?  Não né....
Enfio o dedo sem medo, já que o escuro não me permite olhar apenas e....não tem nada!!! Ufa.
 Boa noite vida,
Essa foi a minha balada.