sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Paternidade, companheirismo e a ausência nossa de cada dia

Poderia falar toda a minha vida aqui pra tentar exemplificar meus sentimentos de hoje,  de agora na verdade. 
Mas vou falar de um dia....apenas a minha rotina de hoje para entender o meu lugar de solidão e frustração. 

As 7h sou acordada pelo marido poque ele esqueceu ou achou que perdeu a carteira.  Procurou a casa inteira e nada.
Tive que levantar pra procurar e claro que o filho acordou junto. 
Procurei um pouco mais que o normal,  é comum dele "perder" coisas.
Pronto, achei 
Ele vai embora e estou lá,  na sala e sozinha com a cria já acordada.
Palavra cantada na TV e sigo pro café 
Depois é brincadeira e pensar na administração da casa. 
Começo pela louça de anteontem, interrompendo uma vez ou duas para amparar o Chico.
Vou pra rua,  pago contas e passo no hortifruti...e de quebra numa loja pra ver um tapete de banho.
Volto com o Chico já chorando.
Tá na hora do almoço e daí começa a rotina cansativa de comida, banho e soneca. Ufa...dormiu.
Limpo sala, dou um tapa na casa, 
Tiro lixo, vejo o filhote que acorda com um barulho de helicóptero.
Dormiu novamente 
Volto pra cozinha e consigo fazer um pão de batata baroa com alecrim fresco. 
(fazendo um adendo aqui: recentemente o marido criticou a alimentação sem levantar um dedo, achava um absurdo o Chico comer uma fruta inteira: lá vou eu levar na nutricionista para rever a dieta e fazer uma rotina melhor) 
Chico acorda de novo 
Volto pra cozinha,  tudo no forno e pia cheia mais uma vez.
Aproveito para um banho, nunca se sabe.
Consigo comer uma manga e olhar o celular um pouco. 
Chico acorda de vez.
Os pães estão prontos então divido e congelo, ofereço....Ele come 4, eu como 3.
Vou me arrumar pq tenho médico 
Passo no marido, levo os convites de aniversário de um ano e vamos todos embora. 
Sigo pro médico,  eles para o mercado e depois casa.
Volto pra casa e a sala já está bagunçada e TV ligada. Pergunto da rotina: janta e banho.  
Marido diz que eu não pedi nada então ele não deu, e me responde vendo um vídeo na TV.
Silêncio vai,  silêncio vem...peço para lavar a louça, depois de toda a rotina eu achava que merecia o descanso. 
Pronto,  ele me responde o mesmo de sempre "trabalho o dia inteiro,  na labuta e pra quê?"  
Mas se antes era em tom de comédia,  hoje parece ser sério 
Pergunto da louça novamente... Me ignora, tá vendo um vídeo pro doutorado e não pode ver em outro horário. 
Dai vejo um filme na cabeça: eu me impor,  me viro, planejo e afins... Mas estou sozinha. 
Se eu não pedir ele reclama que eu não peço e se peço não faz.
Então percebo que existe um acordo velado do qual ele paga e eu faço,  ele não se estressa e só faz oque gosta.
Então porque uso todo o meu salário nas nossas despesas?
Eu trabalho, mas ok estou de licença mas e quando voltar? Chico vai se trocar sozinho? 
Minha licença já está acabando... É mesmo assim licença é para cuidar do filho e não dá casa.
Qual o papel do pai então? 
Qual o papel do homem?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Amamentação

Quando uma famosa fez um relato sobre seu desmame precoce e o texto viralizou na Internet, eu escutei uma opinião bem objetiva sobre o fato.  "Em vez de fazer programas sobre emagrecer depois de ser mãe, pesquisar sobre o melhor  enxoval e todas as outras questão que envolvam o mercado da maternidade ela não poderia ter pesquisado sobre amamentação?" 
Pois bem, alguém pesquisa antes de ter filho? 
Amamentar não é divino como parece ser,  pode ser exaustivo e cruel.
Cruel? 
Sim!!
Existe uma meia dúzia de gato pingado que vão auxiliar verdadeiramente nessa nova jornada e toda uma sociedade que vai opinar de forma equivocada,  errada e intrometida.  Vão te levar ao desmame. 
De acordo com a OMS a amamentação deve ir a pelo menos os 2 anos, sendo até os 6 meses em Livre demanda (isso quer dizer nada de chupeta,  leite artificial ou outros bicos artificiais).  É só peito! Peito o tempo inteiro. 
O que isso pode significar? 
Sem apoio e informação,  uma rotina bem exaustiva e solitária.
Mas vamos falar sobre o que vejo:
Uma mãe que sai da maternidade já com indicação de LA,  com todas as suas dúvidas e receios, além do novo universo que se iniciou... Ela tem uma receita de LA para qualquer emergência.
Eu fui essa mulher... Eu tive equipe humanizada. Mas tive apoio,  da família, amigas e grupos de mães.
Até a primeira ida a pediatra verdadeiramente humanizada e pró -amamentação (isso é fundamental), eu achei que estava matando meu filho de fome.
Nunca tinha lido que os bebês perdem peso quando nascem, e perdem muito.
Meu bico sangrou,  não acertei a pega por dias. Estava sozinha e com um bebê de dias e com necessidades diversas o tempo inteiro.
Bebês não nascem sabendo mamar, mães não nascem sabendo amamentar.
Aqui assumi meu erro que eu não tinha pesquisado... Procurei, me informei,  pesquisei entre as mamadas (e durante tbm).
Alguns dias depois tudo se acertou.
Até hoje não tive problemas significativos. Entendi que se ele quer peito eu posso dar!! Sabe o que isso significa?  Meio caminho andando.
Agora,  se eu chegar a um pediatra, a pessoas com opiniões equivocadas e dizer "o bebê pode mamar o quanto quiser e quando quiser"
Você vai escutar verdadeiros absurdos sobre possíveis danos psicológicos,  ou dependência,  falta de fome e etc.
Além da vulgaridade do ato. (oi??)
Mas vamos falar sobre minha irritação.
Uma conhecida me procura para se informar sobre o tema. Ela quer amamentar!  Ainda na gravidez indico links e explico sobre a livre demanda, confusão de bicos, teoria da extrogestação,  picos X saltos... Ufa.
Então ela me procura, já teve o filho e na maternidade estava com problemas.
Oi? Na maternidade?  Esse não deveria ser um lugar com profissionais capacitados? 
Deveria.
E em poucos dias ela já estava com LA devidamente receitado e oferecido.  Já tinha tentando a chupeta. Mas não entendia pq não conseguia amamentar.
Bem,  aqui entendi que o nervosismo e todos os hormônios a fizeram esquecer dos textos que passei.
Expliquei, disse que é normal.
Indiquei abandonar o LA pq depois disso ele dormiu por 6h (isso pra mim parece que dormiu pq estava dopado e não pq saciou a fome). 
Conversei sobre livre demanda, extrogestação,  formas de acalmar além do peito...
Mas o bebê perdeu muito peito e o leite só pingava.
Falei sobre colostro
Mas e a demora da descida?
É normal.
Enfim....
Me deixei a disposição,  indiquei profissional especializado. 
Me senti envolvida emocionalmente para salvar essa mãe.
Cai de bunda no chão...pq empoderamento vem de dentro.
E apesar de toda a informação é preciso entender que a nossa sociedade não acolhe uma mãe,  nossos sistema de saúde não é capacitado para auxiliar a amamentação. 
E todos os relatos de celebridades,  todas as outras mães e maridos que acham bem melhor e prático dar o leite artificial na mamadeira,  deixam o filho já com dias ou meses de vida no quarto sozinhos pq é bom ter sua independência.
Enfim, etc...
Encerro meu pequeno protesto e desabafo.
Um #mimimi que vejo sempre se repetindo
Não é fácil, não é 100% prazeroso
Mas adoro ver meu moleque saudável,  conectado a mim e amamentando sem vergonha,  sem receio. Dormindo entre a gente, com a gente... E muito apegado.
Maternidade são escolhas,  seja livre e empoderada pra fazer as suas. 
E procure apoio.